Inimiga jovem e silenciosa

Por Dr. Emerson Gasparetto

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Doenças autoimunes são sempre um desafio para médicos, cientistas e, ainda mais, para os pacientes. Entender como o corpo luta contra ele mesmo é sempre um passo bastante difícil a ser dado durante o diagnóstico. E com a esclerose múltipla não poderia ser diferente.

Ela atinge principalmente jovens entre 20 e 30 anos, idade em que se inicia uma vida profissional mais intensa e estressante. É mais comum entre mulheres e caucasianos. Silenciosa, a doença tem sintomas transitórios, que aparecem e desaparecem em crises de, aproximadamente, uma semana. Esses mesmos sintomas voltam mais de uma vez durante anos.

As pequenas deficiências sensitivas (formigamento leve ou falta de sensibilidade nos membros), delicadas turvações da visão ou dificuldades sutis no controle da urina do primeiro momento da doença são substituídos por fraqueza, entorpecimento, visão dupla, desequilíbrio e descontrole dos esfíncteres.

O diagnóstico clínico é complementado por exames como a ressonância magnética, que consegue dar uma imagem eficiente do cérebro e da medula espinhal, possibilitando a visão clara do comprometimento de funções pela doença; por exames hematológicos e do líquido cefalorraquidiano. Com análise clínica e os resultados dos exames, que devem ser repetidos a cada três ou seis meses, o diagnóstico pode ser confirmado.

O tratamento, baseado em corticosteróides, imunossupressores e imunomoduladores, é preventivo, com intenção de abreviar a fase aguda e aumentar o intervalo entre os surtos. Não há, hoje, recursos curativos disponíveis para a esclerose múltipla.

O trabalho dos cientistas é para individualizar o tratamento e torná-lo mais eficaz e confortável. Os estudos são focados em identificar os nucleotídeos (ácidos nucléicos) que geraram a disfunção em cada paciente para combinar a medicação específica com maneiras de suavizar seus efeitos colaterais. Exercício físico ou fisioterapia, para manter os movimentos e reeducação esfincteriana, exposição ao sol e alimentação balanceada são indicações médicas. Com o tratamento medicamentoso já administrado é possível manter os hábitos de antes da doença e tornar à vida mais saudável.

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