O vinho e a saúde do coração*

A arte da enogastronomia aliada ao bem estar do organismo

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São muitos os artigos publicados sobre o consumo de vinho e seus benefícios para o organismo. O que há muitos anos era tido apenas como sabedoria popular, hoje já está mais do que comprovado cientificamente: o consumo moderado de vinho (principalmente o tinto) faz bem à saúde.

O problema é estabelecer o que é “consumo moderado” para cada indivíduo. De uma forma geral, podemos dizer que o homem pode consumir, seguramente, até 30 g de álcool e a mulher 15 g, diariamente. Mas não vale ficar 6 dias sem beber na semana e no sétimo ingerir sua cota de 210 g. A regularidade é um fator importante. Pouca quantidade e diariamente. Não é assim que nossos avós falavam que nossos antecedentes longevos faziam?

Seus benefícios estão ligados às substâncias antioxidantes presentes no vinho. Existem mais de mil compostos encontrados no vinho e, entre eles, os polifenóis (flavonóides, taninos e resveratrol) são os maiores responsáveis por sua fama de elixir saudável. O resveratrol, um antioxidante natural presente em vinhos tintos e brancos, está associado aos efeitos benéficos principalmente na doença arterial coronariana.

Em artigo publicado na Revista Wine Style, em 2005, o Dr. Gustavo Andrade de Paula (médico e diretor de Degustação da Associação Brasileira de Sommeliers de São Paulo) explica que o consumo moderado de vinho controla os níveis sanguíneos de algumas substâncias químicas inflamatórias chamadas citocinas. Estas, por sua vez, atuam sobre o colesterol e as proteínas da coagulação.

O vinho é capaz de reduzir os níveis de LDL (colesterol ruim) e aumentar os de HDL (colesterol bom). Com relação à coagulação, o vinho torna as plaquetas presentes no sangue menos aderentes e reduz os níveis de fibrina, evitando que o sangue coagule em locais errados. Estes efeitos poderiam prevenir o entupimento de uma artéria coronária, evitando um infarto do miocárdio. Além disso, acredito que o álcool, em pequenas doses, deixa as pessoas mais tranquilas, relaxadas e felizes. E não há nada melhor para a saúde do que ser feliz!

Mas, na minha opinião, o mais importante no consumo do vinho é aquilo tudo que está a seu redor. Dificilmente bebemos vinho sozinhos. Geralmente estamos acompanhados de amigos, da nossa pessoa amada, em lugares agradáveis (restaurantes, viagens ou mesmo em casa) acompanhando comidas também agradáveis, e daí, a palavra que está tão em moda: enogastronomia. Por que não juntar o útil ao agradável?

Hoje em dia falamos muito em dieta saudável e a dieta mediterrânea, adotada pelas pessoas que vivem na região Sul da Itália, Grécia e Espanha, parece ser a mais saudável de todas. Nessas regiões, o índice de doenças do coração é muito pequeno, o que mostra que a dieta e estilo de vida dessas pessoas trazem um grande benefício para a saúde. Consiste em uma alimentação com pouco sal, poucos alimentos industrializados e pouca gordura de origem animal; por outro lado, há o consumo regular de vinho e uma ingestão maior de frutas, legumes, frutos do mar, vitaminas, minerais e antioxidantes.

O vinho na quantidade certa e a dieta mediterrânea no prato parecem ser o segredo para uma alimentação saudável, física e mental. A harmonização de vinho com comida é um assunto delicioso e as possibilidades são infinitas.

Algumas regrinhas básicas podem ajudar na harmonização: prato leve com vinho leve, prato forte com vinho encorpado; prato ácido com vinho ácido, prato doce com vinho doce (quanto mais doce o prato, mais doce deve ser o vinho) e pratos gordurosos com vinhos ácidos, tânicos ou espumantes. Algumas harmonizações clássicas são sempre uma experiência sensorial fantástica, como ostras com Chablis (vinho branco da uva Chardonnay), foie-grass e Sauternes (vinho doce francês), pato e um bom Borgonha, cordeiro e um vinho ao estilo de Bordeaux, etc.

O vinho certo acompanhando o prato certo no local certo e com a pessoa certa: essa é a receita para melhorar a saúde da alma!

* Por Dr. Carlos Eduardo Suaide Silva – médico cardiologista e enófilo

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